O Poder do Louvor

Assim como a dinamite, o louvor oferecido a Deus em meio a problemas, possui um poder explosivo. Quando o praticamos na vida diária, este louvor transforma as situações mais difíceis em vitórias.

Merlin Carothers

12/14/202410 min read

Assim como a dinamite, o louvor oferecido a Deus em meio a problemas, possui um poder explosivo. Quando o praticamos na vida diária, este louvor transforma as situações mais difíceis em vitórias.

Em O PODER DO LOUVOR, seu novo livro, Merlin Carothers mostra as aplicações práticas e dinâmicas deste louvor, que poderão abrir ao leitor novas portas de ministério e novas janelas nos céus, pelas quais Deus derramará bênçãos copiosas.

O artigo que se segue foi extraído desse livro.

O Poder do Louvor

As frases "Glória ao Senhor!" Ou "Graças a Deus!" São proferidas tão levianamente, que a maioria das pessoas nem presta atenção ao seu significado real.

Louvar quer dizer exaltar, elogiar, glorificar, aplaudir, aprovar. Louvar é, portanto, ratificar, expressar a nossa aprovação a respeito de alguma coisa. Dando a nossa aprovação, aceitamos ou concordamos com o que acontece. Portanto, louvar a Deus por uma situação difícil, por uma doença ou desgraça, quer dizer literalmente que aceitamos e aprovamos este acontecimento como parte do plano de Deus para nossa vida.

Não podemos louvar a Deus sem estarmos agradecidos pelo que nos acontece. E não podemos estar agradecidos sem estarmos felizes com as circunstâncias. O louvor envolve, portanto, gratidão e alegria.

Louvar a Deus também significa que reconhecemos ser dele a responsabilidade do que nos está acontecendo, e não de um acaso. Senão, não faria sentido agradecer-lhe.

"Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (1 Ts 5.16-18.)

Conheço muitas pessoas que aprenderam a louvar a Deus pelas circunstâncias em que se encontram, apenas porque aceitaram a determinação bíblica de que devem louvar a Deus por tudo. Louvando-o, veem o resultado do seu constante agradecimento e da sua alegria; e, consequentemente, sua fé é aumentada e elas continuam a louvar ao Senhor.

Há pessoas, entretanto, que acham isso um pouco mais difícil.

"Não consigo entender isto", dizem elas. "Tento louvar a Deus, mas é difícil acreditar que ele tenha algo a ver com todas estas coisas horríveis que vêm-me acontecendo ultimamente."

Dizemos que não entendemos, e aí está a nossa dificuldade. O fato de não entendermos se torna um obstáculo ao nosso relacionamento com Deus. Mas Deus tem um plano perfeito para o nosso entendimento, e se o usarmos à sua maneira, não será mais um empecilho, mas um maravilhoso impulso para a nossa fé.

"Pois Deus é o Rei de toda a terra", diz o Salmista. "Cantai louvores com inteligência." (SI 47.7 RC)

Ninguém deve deixar de usar a inteligência, nem tampouco cerrar os dentes obstinadamente e dizer: "Isso não faz sentido para mim, mas louvarei o Senhor de qualquer maneira, se esta for a única maneira de eu sair desta situação!"

Isso não é louvor, é manobra. É verdade que todos nós já tentamos manobrar Deus. É maravilhoso pensar que ele nos ama tanto que nos deixa impunes! Temos que louvar a Deus com o nosso entendimento, e não apesar dele.

Nosso entendimento nos atrapalha quando nos leva a tentar saber por que e como Deus introduz certas circunstâncias em nossa vida. Jamais poderemos compreender por que e como Deus age, mas ele quer que aceitemos, com o nosso entendimento, que ele o faça. E isto é a base para o nosso louvor. Deus quer que entendamos que ele nos ama e que ele tem um plano para nós.

"E Sabemos que tudo quanto nos acontece está operando para o nosso próprio bem, se amarmos a Deus e estivermos nos ajustando aos planos dele." (Rm 8.28 — Bíblia Viva.)

Será que você está rodeado por circunstâncias difíceis? Está lutando para entender por que isto está acontecendo? Então procure aceitar, com todo o seu entendimento, que Deus o ama, e que ele permitiu que tudo acontecesse para o seu bem. Louve-o pelo que pôs à sua frente. Faça-o deliberadamente e com entendimento.

Um certo casal foi a uma das minhas conferências. Falei sobre o louvor a Deus em toda e qualquer circunstância. Os dois foram para casa muito perturbados. Estavam aflitos, já havia alguns meses, porque sua filha estava internada numa clínica para doentes mentais e o diagnóstico era: irremediavelmente demente.

Diversos grupos de oração por todo o país estavam orando por ela, e diariamente seus pais dobravam os joelhos e suplicavam a Deus que a curasse. Mas tudo continuava na mesma.

O desafio de louvar a Deus pela condição em que se achava a filha deixou-os confusos e mais aflitos.

"Parece-me uma blasfêmia", disse a esposa, "agradecer a Deus por essa desgraça. Será que agradecer a Deus não é acusá-lo de estar deliberadamente fazendo mal à nossa filha? Isso não se harmoniza com minha ideia de um Deus amoroso."

"Não parece certo", concordou o marido. "Mas, e se o pregador estiver com a razão?"

Ela olhou para o marido, desanimada. "Não sei o que fazer."

"Não temos nada a perder, respondeu ele pensativamente. "Por que não tentamos?"

Ajoelharam e oraram.

"Deus querido", começou o esposo, "sabemos que tu nos amas e que o teu amor por nossa filha é ainda maior do que o amor que temos por ela. Nós vamos crer que tu estás realizando em sua vida aquilo que achas melhor para ela. Portanto, nós te agradecemos pela sua doença, agradecemos-te porque ela está no hospital, agradecemos-te porque os médicos não sabem o que fazer para curá-la. Nós te louvamos, ó Deus, pela tua sabedoria e pelo teu amor para conosco..."

Quanto mais eles oravam naquele dia, mais convencidos ficavam de que Deus estava mesmo fazendo o que era melhor.

Na manhã seguinte, o psiquiatra do hospital telefonou.

"Houve uma mudança extraordinária em sua filha. Gostaria que viessem vê-la."

Duas semanas depois, ela saiu do hospital.

Passou-se um ano, e certo dia um jovem veio me procurar ao término de uma reunião. Ele se apresentou como o irmão daquela moça, e contou-me que ela estava casada, esperando nenê, e "era a mulher mais feliz do mundo"!

Certa vez uma senhora pediu-me que orasse em favor de sua filha que era dançarina de um cabaré. Eu lhe disse que teria prazer em orar juntamente com ela, agradecendo a Deus pela situação da filha. Aquela mãe me olhou horrorizada.

"Não me diga que o senhor espera que eu agradeça a Deus por minha filha zombar dos preceitos morais e da religião. Eu teria que agradecer era ao diabo por essa desgraça, não a um Deus amoroso!"

Essa mãe tinha diante de si uma escolha muito difícil. Tinha sido condicionada durante toda a Sua vida a agradecer a Deus por tudo que fosse bom e a responsabilizar o diabo por tudo que fosse mau. Juntos, procuramos na Bíblia os versículos que declaram que Deus é capaz de fazer com que todas as coisas se tornem um bem para aqueles que o amam e confiam nele, e que ele quer que sejamos agradecidos em tudo, mesmo que a nossa situação seja a pior possível.

"A senhora pode continuar pensando que o que acontece à sua filha é controlado pelo diabo, e, pela sua falta de fé, impedir que o Senhor realize os seus perfeitos desígnios para ela. Ou pode Crer que Deus está tomando conta da situação, agradecer-lhe por tudo, e com isso, liberar o poder para modificar a vida de sua filha."

Finalmente, a senhora concordou em experimentar.

"Não entendo por que deva ser assim", disse ela, "mas vou acreditar que Deus sabe o que está fazendo, e vou agradecer-lhe por isso."

Oramos, e a mãe foi embora com a paz de coração renovada.

"Pela primeira vez, não estou absolutamente preocupada com a minha filha", disse-me com satisfação.

Mais tarde ela me contou o que aconteceu.

Naquela mesma noite, sua filha estava dançando quase nua no seu pequeno tablado, quando um jovem entrou no cabaré. Ele foi direto à garota, olhou para ela, e disse: "Jesus a ama e muito!"

A garota estava acostumada a ouvir todo tipo de piadinhas, mas jamais uma frase como aquela. Desceu dali, sentou-se com o rapaz numa mesa, e perguntou: "Por que você disse isso?"

Ele explicou que estava passando por ali quando sentiu que Deus o impelia a entrar e dizer à dançarina que Jesus Cristo lhe estava oferecendo a dádiva gratuita da vida eterna.

A garota fitou-o estupefata. E com os olhos cheios de lágrimas, tranquilamente, respondeu: "Gostaria de receber esta dádiva." E a recebeu, ali mesmo, na mesa do cabaré.

Louvar a Deus não é um remédio patenteado, uma panaceia ou uma fórmula mágica para o sucesso. É um modo de vida, firmemente baseado na Palavra de Deus. Nós louvamos a Deus, não pelos resultados que esperamos, mas pela situação tal como ela é.

Se louvarmos a Deus, pensando intimamente nos resultados que gostaríamos de obter, estamos apenas nos enganando, e podemos estar certos de que a nossa situação não se modificará.

O louvor é fundamentado numa aceitação total e prazerosa do que está-nos acontecendo, como sendo parte da terna e perfeita vontade de Deus para nós. O louvor não é baseado no que pensamos nem tampouco naquilo que esperamos que aconteça no futuro. Isto é uma "lei" essencial, não é possível praticar o louvor, sem observá-la.

Louvamos a Deus não pelo que esperamos que aconteça em nós ou ao nosso redor, mas pelo que ele é, e pelo lugar e situação em que nos achamos agora, neste momento!

É verdade que, quando louvamos a Deus sinceramente, algo acontece em consequência. Obviamente o seu poder penetra na dificuldade, e notamos, mais cedo ou mais tarde, que se operou uma mudança em nós ou nas circunstâncias que nos cercam. Pode ser que passemos a sentir alegria e felicidade em meio a uma situação que antes nos parecia terrível; Ou a própria situação pode se modificar inteiramente. Mas isto deve

resultar do louvor. Não deve ser a motivação dele.

O louvor não é uma barganha. Nós não dizemos: "Eu te louvarei, ó Senhor, para que me abençoes."

Louvar a Deus é alegrar-se nele. O salmista escreveu: "Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração." (Sl 37.4 — RC).

Notemos aqui a ordem do versículo. Não é que façamos primeiramente uma lista dos nossos desejos e depois nos alegremos no Senhor para consegui-los. Não. Devemos nos alegrar primeiro, e, quando nos tivemos realmente alegrado em Deus, descobriremos que todas as outras coisas se tornam secundárias. Entretanto, é verdade que Deus quer nos conceder todos os desejos do nosso coração. O seu desejo e o seu plano para nossa vida não é nada menos do que isso.

Ah, se pudéssemos ao menos aprender a nos alegrar no Senhor por todas as coisas, em primeiro lugar!

Um casal cristão tinha dois filhos. Um deles era o seu orgulho e a sua alegria. Morava com os pais e partilhava da sua fé cristã, num ambiente de compreensão e harmonia.

Certa vez, quando eu jantava com eles, contaram-me que o filho mais velho se tinha rebelado e saído de casa. Formara-se na universidade com distinção, mas abandonara os pais e a sociedade. Agora, perambulava pelo país como "hippie", aparentemente sem objetivo na vida.

Os pobres pais queriam 0 meu auxílio. Expliquei-lhes que eu acreditava que esse filho lhes tinha sido dado por Deus para que fosse salvo, e que o Senhor estava atendendo às orações deles.

"Se as orações são sinceras, podem estar certos de que a vida que o seu filho leva é exatamente o que Deus sabe ser o melhor para ele e para "Entendo", disse o pai. "Desejamos para o nosso filho aquilo que seja melhor para ele, e isto deve ser o plano e a vontade de Deus para todos nós."

Demo-nos as mãos ao redor da mesa de jantar e agradecemos a Deus por estar realizando o seu plano da maneira que ele sabia ser a melhor. Depois disto, os pais sentiram um grande alívio e uma nova paz.

Dentro de pouco tempo, a família me escreveu. Após aquele encontro, os pais tinham persistido em agradecer a Deus pelo modo de vida do filho, apesar de não entendê-la muito bem. Então, certo dia, o rapaz sofreu um acidente de bicicleta, contundindo o pé.

Temporariamente incapacitado de andar, decidiu passar uns dias em casa. Disse aos pais que tinha dívidas por todo o país. Estes oraram a respeito do assunto e decidiram que, se Deus estava mesmo realizando o seu plano em todos os acontecimentos da vida do filho, ele também tinha permitido que contraísse dívidas. Assim, agradeceram-lhe por elas, e pagaram tudo!

O jovem ficou grandemente admirado! Esperava ser repreendido. Pensava que iriam dizer-lhe para resolver tudo ele mesmo. Em vez disso, os pais agiam com calma, mostravam-se carinhosos, e pareciam aceitar a sua maneira diferente de vestir e o seu cabelo eternamente despenteado.

Certa noite, alguns jovens cristãos vieram visitar o rapaz mais moço. O mais velho ficou muito irritado com essa intromissão, mas por causa do pé machucado viu-se impedido de sair de casa. Os jovens começaram a testemunhar entusiasticamente acerca do que Jesus Cristo tinha feito e estava fazendo em sua vida. A princípio, o rapaz fez críticas mordazes ao que ele chamava de maneira ingénua e visionária de encarar a vida, mas depois passou a escutar atentamente e a fazer perguntas. E o que aconteceu? Antes que os jovens se retirassem, ele havia entregue sua vida a Jesus Cristo!

Foi com muita alegria que os pais me escreveram contando a drástica mudança operada no filho. Ele passou a seguir a Jesus e a servi-lo. Começou a estudar a Bíblia avidamente. Pediu e recebeu o batismo do Espírito Santo, a experiência que os seguidores de Jesus receberam no primeiro dia de Pentecostes, depois da morte e ressurreição de Cristo. Não demorou muito, encontrou uma garota cristã. Duas semanas depois ficava noivo dela.

Meses de oração angustiosa e preocupações não tinham trazido mudança alguma à vida do jovem. Somente depois que os pais se voltaram para Deus, numa atitude de plena aceitação das condições em que o rapaz vivia, foi que a porta se abriu para que o Senhor realizasse seu plano perfeito para a família toda.

Deus tem um plano perfeito para nossa vida. Acontece que, muitas vezes, nós olhamos para as circunstâncias que nos rodeiam e cremos que estamos eternamente parados no mesmo lugar. Quanto mais oramos, e suplicamos a Deus o seu auxílio, mais a situação parece piorar. A mudança só virá quando começarmos a louvar a Deus por tudo, do modo como está, ao invés de suplicar que ele afaste a dificuldade do nosso caminho.