Moldando a vontade de seu filho
Está claro que as crianças estão bem conscientes do conflito de vontades que há entre as gerações, e é exatamente por isso que a reação dos pais é tão importante.
Dr. James Dobson
12/12/20244 min read


Está claro que as crianças estão bem conscientes do conflito de vontades que há entre as gerações, e é exatamente por isso que a reação dos pais é tão importante. Muitas vezes, quando uma criança se comporta de uma maneira desrespeitosa ou prejudicial a si mesma ou a outros, o que ela deseja, secretamente, é verificar a firmeza dos limites que lhe são impostos. Essa forma de verificação é muito semelhante à de um policial que gira uma maçaneta de uma loja, à noite. Embora ele esteja tentando abrir a porta, espera que ela esteja trancada e em segurança.
Da mesma forma, uma criança que tenta forçar a terna autoridade dos pais, sente-se profundamente segura, quando percebe que eles não cedem. Ela se sente grandemente segura, quando vive em meio a um ambiente estruturado, onde os direitos das outras pessoas (e os seus também) acham-se protegidos por limites bem definidos.
Nosso objetivo, então, é moldar a vontade dela durante os seus primeiros anos de vida. Mas como se consegue isto? Tenho conversado com centenas de pais que reconhecem a validade deste princípio, mas não têm a menor ideia de como ele pode ser posto em prática. É por isso que o restante deste pequeno artigo será devotado a oferecer sugestões e conselhos específicos nesse sentido. Vamos examinar os seis princípios que servem de base ideológica para a disciplina do lar.
PRIMEIRO: definir bem os limites, antes que eles sejam "cobrados".
O ponto mais importante de qualquer processo disciplinar é estabelecer, antecipadamente, os limites e comportamentos esperados. A criança precisa saber que tipo de comportamento é aceito, e qual o que não é, antes de ser responsabilizada pela transgressão das normas. Essa preparação elimina aquela terrível sensação que o pequeno tem de que sofreu uma injustiça, quando apanha ou é castigado por acidentes, erros e enganos cometidos. Quem ainda não definiu bem os limites, não deve "cobrar".
SEGUNDO: quando uma criança o desafiar, reaja com firmeza.
Depois que a criança já sabe o que se espera dela, deve ser responsabilizada, se não se comportar de acordo. Isso pode parecer simples, mas, como já vimos, a maioria das crianças, vez por outra, investe contra a autoridade dos adultos, e se rebela contra o direito deles para comandá-las. Num momento de rebelião, a criança poderá julgar a vontade dos pais, e resolver-se a desobedecê-la. Como faz um general, antes de uma batalha, ela fará um cálculo dos riscos potencial, reunirá seus exércitos e atacará o inimigo, abrindo fogo todas as frentes. Quando ocorre uma confrontação direta entre as gerações, é de extrema importância que o adulto vença com firmeza a decisão. A criança deixou bem claro que está procurando um conflito, e a atitude mais sábia dos pais será não decepcioná-la nisso.
Nada tem efeito mais destrutivo para a autoridade paterna, do que o fato de um pai ou mãe perder o autocontrole durante a luta. Quando os pais estão constantemente perdendo essas batalhas, apelando para lágrimas e berros e outras formas de frustração, a imagem que os filhos têm deles sofre mudanças drásticas.
Em vez de serem autoridades seguras e confiantes, eles se tornam seres fracos e maleáveis, que não merecem seu respeito nem sua lealdade.
TERCEIRO: fazer distinção entre uma rebeldia voluntariosa e irresponsabilidade infantil.
A criança não deve punida por causa de um ato que não seja de rebeldia voluntariosa. Quando, por exemplo, ela se esquece de dar comida ao cachorro, de arrumar sua cama ou de levar o lixo para a porta, quando perde a bicicleta ou esquece ao relento um brinquedo de valor, lembre-se de que este tipo de comportamento é típico da criança. Provavelmente, trata-se de um mecanismo de defesa, pelo qual uma mente imatura se protege das preocupações e ansiedades dos adultos.
Essas coisas devem ser ensinadas com brandura. Se ele não se corrigir, depois de instruído com paciência, aí então é certo exigir dele algum tipo de compensação. Ele pode, por exemplo, ter que trabalhar para pagar o objeto que estragou ou ser proibido de utilizá-lo, etc. Contudo, essa irresponsabilidade, infantil é muito diferente de uma rebeldia voluntariosa, e deve ser corrigida com mais paciência.
QUARTO: depois de terminada a confrontação, acalmar e instruir a criança.
Após um período de conflito, durante o qual o pai comprovou seu direito de comandar (principalmente se a criança terminar chorando), o pequeno (entre dois e sete anos, ou mais) vai querer um pouco de carinho e amor. Haja o que houver, abra-lhe os braços e deixe que se abrigue neles. Abrace-o bem e diga-lhe que você o ama. Acalente-o e explique claramente, mais uma vez, por que ele foi castigado, e como poderá evitar que um castigo desses se repita.
Esse momento de intensa comunhão serve para edificar o amor, a fidelidade e a unidade familiar. Se a família for crente, é muito importante orar com a criança nesse momento, reconhecendo diante de Deus que todos nós pecamos e que ninguém é perfeito. O perdão divino é uma experiência maravilhosa, mesmo para uma criancinha.
QUINTO: evitar exigências impossíveis de serem cumpridas.
Verifique com clareza se seu filho pode realmente fazer tudo que você exige dele. Ele nunca deve ser punido por ter urinado na cama, ou por não ter aprendido a usar o vaso com a idade de um ano, ou por sair-se mal na escola, quando não consegue obter sucesso nos estudos. Essas exigências impossíveis colocam a criança dentro de um conflito sem solução: não há saída. Esse tipo de situação causa uma lesão grave em seu equilíbrio emocional.
SEXTO: oriente-se pelo amor.
Um relacionamento que se caracteriza por um amor e afeição genuínos tem muita probabilidade de ser um relacionamento sólido, apesar de sabermos que é inevitável que os pais cometam alguns erros.
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Dr. James Dobson - Este artigo foi extraído do livro The Strong-Willed Child "(A criança de vontade forte), Tyndale, 1978, e usado com permissão. O Dr. James Dobson é professor da clinica pediátrica na Faculdade de Medicina da Universidade Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Também atende no Hospital Infantil de Los Angeles. É autor de quatro outros livros, um deles - Ouse Disciplinar já publicado em, português.
